Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Quem trouxe Le Pen à 2ª volta?

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 30.04.17

 

 

Quem trouxe Le Pen à 2ª volta?

Quem financiou a sua campanha?

Quem criou as condições favoráveis à recepção e aceitação da sua mensagem repelente?

 

Financiamento: o foco de luz recai sobre a Rússia. Sem financiamento não teria sido possível montar aquela máquina de atrair revoltados saudosistas.

Condições favoráveis: os políticos convencionais e a própria UE.

Políticos convencionais: as ideologias políticas do séc. XX já não interpretam a realidade actual das vidas concretas. Serviram os interesses das elites políticas, financeiras e económicas e, enquanto houve recursos para distribuir por uma parte da população, aguentaram-se no poder intercalando no governo. Isto já não voltará a funcionar assim.

A UE: falhou em quase tudo no projecto europeu e agarra-se, teimosamente, à cultura financeira, à supremacia da finança sobre a economia. E é aqui que tenho de reconhecer a minha admiração pelo povo grego. Apesar de ter sido tratado pelas instituições europeias de forma inclassificável, escolheu permanecer na UE. E apesar das suas dificuldades económicas, ainda recebeu os refugiados nas suas ilhas e não consta que os queira expulsar. Os franceses que, comparativamente, só foram beliscados pela cultura financeira e pela austeridade, falam em sair da UE.

 

 

 

publicado às 09:44

A solução governativa portuguesa e Macron :)

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 29.04.17

 

 

Interessante análise das eleições presidenciais francesas. A começar pelo título: O presidente Macron precisa de uma geringonça. :)

 

A solução governativa portuguesa deve a sua inovação e funcionalidade a 3 condições favoráveis:

- a vontade da maioria da população que não quer voltar ao passado;

- a sintonia e harmonia governo-presidência;

- e o perfil das suas lideranças políticas (PM, Catarina, Jerónimo, Heloísa) e do próprio Presidente.

 

Foi esta a nossa sorte, conjugarem-se as 3 condições favoráveis que nos abriram esta janela de oportunidade.

 

1ª- A solução governativa - governo do partido socialista baseado em acordos parlamentares com três correntes de esquerda - funciona porque a alternativa - voltar à austeridade conservadora imposta pela cultura financeira -, é rejeitada pela maioria da população. 

 

2ª - A harmonia e respeito institucional Presidente - governo permite hoje, no nosso regime semi-presidencial, o melhor das suas instituições. Um Presidente que conhece a fundo e respeita a Constituição, que utiliza o seu poder de influência de forma adequada e pedagógica, e que é afável e presente junto das populações. Um PM que sintoniza com as grandes orientações e prioridades para o país, e revela maturidade (ausente na grande maioria dos políticos), para ouvir e colaborar através da acção concreta, do poder executivo.

 

3ª - O perfil dos gestores políticos portugueses actuais é uma condição fundamental para a sua eficácia.

E é aqui que entra Macron. Se a sua elasticidade e plasticidade for um sinal de inteligência estratégica, e se esta inteligência estratégica também estiver conectada a alguma inteligência emocional, maturidade e capacidade de negociação, abrem-se as possibilidades para uma gestão política eficaz. 

Maturidade e capacidade de negociação para ouvir, promover e optimizar a colaboração entre os vários grupos políticos que tenham em comum respeitar a democracia, incluindo o eleitorado de Mélenchon, agora sem representação política.



 

publicado às 12:56

França: o que está a falhar na segurança das populações?

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 24.04.17

  

 

Ontem acompanhei os resultados da 1ª volta das eleições presidenciais francesas. E, no final, quando se tinham já perfilado os 2 candidatos à 2ª volta e vi ali Le Pen, percebi claramente que o medo a ajudou.

O paradoxo do securitarismo a partir do medo é que não garante a segurança das populações e cria obstáculos à própria segurança ao alimentar um ambiente propício à insegurança.

É isso que os media deveriam ter descodificado da mensagem de Le Pen, e desmontado as ligações perigosas com a Rússia.

É aqui que as democracias actuais falham na protecção das populações: a segurança depende da democracia, da transparência, da informação correcta às populações. Tudo isto faz parte da prevenção.

Também faz parte da prevenção: o trabalho dos serviços de informação, dos especialistas da internet, dos ataques cibernéticos, da contra-informação, da investigação de ligações políticas e/ou financeiras a interesses adversários ao país e às populações que representam.

Assim como os media não contextualizam o resultado de Le Pen, nem os serviços de informação assinalam nada de estranho nas ligações à Rússia, também não esperamos que consigam contextualizar a revolta de jovens parisienses logo depois de conhecidos os resultados da 1ª volta. O desespero inconformado de quem se sente impotente, quando expresso em violência caótica e revolta mal dirigida, não gera empatia ou compreensão nas populações. E geralmente é-nos apresentado apenas de forma simplista: grupos de anarquistas, por exemplo. São jovens e estão desesperados. São jovens e sentem-se impotentes. São jovens e o sistema não os ouve.

A tensão social é propícia à violência, e se juntarmos a este ambiente de alta tensão quaisquer interferências previstas, todo o cuidado é pouco.

 

O que está a falhar na segurança das populações?

- o sistema político actual. Para se dizer democrático, precisa de se reformar de cima abaixo;

- a investigação de ligações políticas e/ou financeiras perigosas para a segurança do país, da população, mas também da Europa e das suas populações;

- os media que normalizam o inaceitável, acabando por ser um obstáculo à informação que as populações precisam para decidir da melhor forma (neste caso, as eleições). O voto deveria servir para garantir a sua própria segurança e a possibilidade de ver concretizadas as suas legítimas expectativas.

 

As bases de uma democracia de qualidade - informação, transparência, comunicação, equilíbrio, inclusão - são as que melhor garantem a prevenção e a segurança.

 

As pessoas estão entregues a si próprias e é natural que procurem informação nas redes sociais. É certo que lá encontramos muita informação falsa, contra-informação, propaganda mal intencionada, etc., mas há a possibilidade de aprender a filtrar a informação fiável, fidedigna e útil, se estivermos atentos e treinarmos a capacidade de verificar a correlação de diversos factores.

Há que estar atento, alerta, mantendo a calma. Não é fácil.

Há que observar, descodificar, desmontar, procurando a informação mais fiável.

Há que escolher a melhor solução, a que melhor garante o ambiente de segurança propício ao equilíbrio democrático e à prosperidade económica. 

 

 

 

publicado às 10:17

 

 

Fiquei arrepiada ao ver esta reportagem da TVI 24, O Novo Muro. O Reino Unido, que no séc. XX esteve na vanguarda, retrocedeu culturalmente e ainda ando a ver para que século. De qualquer modo, foi para um tempo de trevas.


Reparem em cada experiência relatada, neste caso são conterrâneos nossos mas podiam ser quaisquer outros estrangeiros. 

Reparem também como os nossos conterrâneos não têm qualquer apoio, digno desse nome, do consulado ou da embaixada. Estão entregues a si próprios num meio hostil. 

E reparem na gravação do discurso da PM e no tom de voz, frio, impessoal, como se de um robot se tratasse.


Não prevejo a possibilidade de ver pacificar e regenerar esta tensão cultural, que odeia e rejeita tudo o que é diferente, no tempo de duas gerações. 

Primeiro, ainda têm de sentir as consequências sociais e económicas desta decisão, que foi irresponsavelmente promovida pelos conservadores e pelos populistas.

Depois, ainda têm de verificar que lhes mentiram, que a presença dos estrangeiros não era a causa das suas dificuldades económicas.


Quando um país atinge este grau preocupante de tensão social, tudo nos indica que vai passar por um período de conflitos e até de uma certa violência.

Ora, o ambiente propício à qualidade de vida, à prosperidade económica, à inovação, à segurança, é a democracia e a colaboração entre comunidades.


Estarão os jovens europeus dispostos a viver num ambiente em tudo hostil às suas expectativas legítimas? 

Não creio. Os que tiverem alternativa num outro país europeu, não hesitarão.



A França pode aprender muito com o actual cenário cultural e social do Reino Unido pós-Brexit. 

As eleições são um teste importante à capacidade dos franceses descodificarem a mensagem dos populistas, identificarem a sua cultura de base e desmontarem a sua agenda.

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 



publicado às 22:40

Transplantados do séc. XIX para nos assombrar

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 08.04.17

 

 

As lideranças europeias não souberam lidar com o caso Dijsselbloem. Primeiro porque não perceberam a sua dimensão cultural, depois porque a sua perspectiva está formatada pela lógica financeira.

O que nos leva a perguntar: como é possível que ainda tenhamos de aturar, em lugares estratégicos para a possibilidade de reabilitar os valores europeus, indivíduos transplantados do séc. XIX? 

Não é uma questão de palavras, como disse o ainda presidente do Eurogrupo, é a cultura que está por trás, própria de um burguês do séc. XIX: vinho e mulheres.

Não é uma questão de palavras, porque voltou a repetir a palavra solidariedade com a definição subvertida, o que tornou a explicação ainda mais horrível do que a entrevista original. A arrogância está lá, eu tenho razão, as palavras é que não foram bem escolhidas.

 

A solidariedade não foi com os países intervencionados, foi com os grandes bancos, porque essa é a sua prioridade: a finança, a moeda.

Foi nisto, nesta lógica fundamentalista, nesta máquina metalizada, que se transformou a Europa das estrelinhas. A que os países e os seus cidadãos têm de se submeter. É isto que Dijsselbloem representa no Eurogrupo, os interesses dos grandes bancos e da moeda.

Enquanto a Europa das estrelinhas nos quiser assombrar com a sua cultura do passado bafiento de cofres fechados, não podemos construir o futuro.

O futuro já aqui está, outras regiões do globo já vivem e respiram a cultura da colaboração, mas a Europa das estrelinhas, que foi vanguardista noutras épocas, virou-se para o passado. 

 

 

 

publicado às 06:31


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D